Permita que eu me apresente, Senhora. Eu sou o medo. O seu medo. De sair por aí cantando, de falar que o ama, de voar, de altura, de arriscar. Puro, simples e negro; medo. Eu só vim aqui, Senhora, porque não 'tô mais dando conta do recado... É tanta coisa que você não faz e deixa pra mim que eu 'tô sobrecarregado, com medo do medo. Desde quando se tem medo de si mesmo?
Olha, que tal a gente fazer um trato? Você arrisca, voa, experimenta tudo que sempre quis mas deixou pra mim e eu tiro férias. Vou passar meus dias em alguma daquelas montanhas bem frias ou em uma praia ensolarada, tanto faz, mas você fica aqui; curtindo a coragem. Se você não gostar, eu volto. É só chamar. Eu sempre 'tô aqui, Senhora, dentro de você. Comigo você pode contar, porque eu posso até tirar um cochilo, umas férias, mas eu sempre volto.
Boa sorte com a coragem, Senhora. Eu te mando um postal dos alpes, mas sem pressão. Sem medo... Quem sabe nas próximas férias não é você que vai pra lá?
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